Conceito de lazer  

Dumazedier (2001) afirma que lazer é um conjunto de ocupações ás quais o indivíduo pode entregar-se de livre vontade, seja para repousar, seja divertir-se, recrear-se e entreter-se, ou ainda para desenvolver sua informação ou formação desinteressada, sua participação social voluntária ou sua livre capacidade criadora após livrar-se ou desembaraçar-se das obrigações profissionais, familiares e sociais.

O lazer, portanto, opõe-se a obrigações. Segundo Dumazedier (2001, p.52), “não subsiste qualquer dúvida de serem classificadas como opostas ao lazer”, as atividades seguintes:

– O trabalho profissional;

– O trabalho suplementar ou trabalho de complementação;

– Os trabalhos domésticos (arrumação da casa, a parte diretamente utilitária da criação de animais destinados à alimentação, da bricolagem e da jardinagem).Atividades de manutenção (as refeições, os cuidados higiênicos como corpo, o sono).As atividades rituais ou ligadas ao cerimonial, resultantes de uma obrigação familiar, social ou espiritual (visitas oficiais, aniversários, reuniões políticas, ofícios religiosos).As atividades ligadas aos estudos interessados (círculos e cursos preparatórios de um exame escolar ou profissional).

Segundo Dumazedier (2001), o lazer se exerce no tempo à margem das obrigações sociais. Esse tempo varia de acordo com a forma e intensidade de engajamento do indivíduo nas obrigações. Assim temos:

 

·        Tempo liberado-tempo que resta após o cumprimento das obrigações profissionais;

·        Tempo livre-tempo que resta após todo o tipo de obrigações;

·        Tempo inocupado-tempo daqueles que não têm ocupações profissionais.

 

Por outro lado, o lazer possui um conjunto de propriedades e características, as quais preencherão uma série de funções. Quando nem todas as características estão presentes, acontece aquilo que Dumazedier (2001) chamou de similazer, ou seja, uma atividade mista onde o lazer se mistura a uma obrigação institucional. Isso acontece, por exemplo, quando um praticante de jardinagem planta também algumas verduras para a sua alimentação; quando se usa uma habilidade manual para fazer reparos nos equipamentos domésticos, etc.

 

Marcellino (1996) afirma que não existe um consenso sobre o que seja lazer entre os estudiosos do assunto, ou entre os técnicos que atuam nessa área, e muito menos em nível da população em geral. O fato, que traz dificuldades para abordagens do tema, programação das atividades e sua difusão, indica também que se trata de um termo carregado de preferências e juízos de valor.

 

O autor coloca que as diferenças acentuadas quanto ao significado da palavra lazer podem ser observadas até mesmo nas conversas informais. Grande parte da população ainda associa o lazer às atividades recreativas, ou a eventos de massa, talvez pelo fato de que a palavra tenha sido largamente utilizada nas promoções de instituições com atuação dirigida ao grande publico, assim tudo isso contribuiu para que se acabe tendo uma visão imparcial e limitada das atividades de lazer, restringindo o seu âmbito e dificultando o seu entretenimento. Marcellino (1996) entende que além do descanso e do divertimento há outra possibilidade de ocorrer o lazer, e, normalmente, não é perceptível. Trata-se do desenvolvimento pessoal e social que o lazer enseja. No teatro, no turismo, na festa, etc., estão presentes oportunidades privilegiadas, porque espontaneamente, de tomada de contato, percepção e reflexão sobre as pessoas e as realidades nas quais estão inseridas.

Assim Marcellino (1996) afirma que não é possível se entender o lazer isoladamente, ele influencia e é influenciado por outras áreas de atuação numa relação dinâmica.

 Marcellino (1996), coloca que a admissão da importância do lazer na vida moderna significa considerá-lo um tempo privilegiado para a vivência de valores que contribuam para mudanças de ordem moral e cultural, tais mudanças são necessárias para a implantação de uma nova ordem social. O movimento ecológico, de jovens, de mulheres, tem alicerçado muito seus valores com base na vivência e na reivindicação pela vivência do tempo de lazer.

            Entre os autores que se dedicam ao estudo do lazer, podem ser identificadas duas linhas de pensamentos quanto à sua conceituação. Uma delas caracteriza-se pela ênfase no aspecto atitude – isto é, lazer como estilo de vida – e a outra pela ênfase no aspecto tempo, aquele liberado das obrigações do trabalho, ou livres das demais obrigações. (STOPPA, 1999).

 

[…] conjunto de ocupações às quais o indivíduo pode entregar-se de livre vontade, seja para repousar, seja para divertir-se, recrear-se e entrerter-se ou ainda para desenvolver sua formação desinteressada, sua participação social voluntária, ou sua livre capacidade criadora, após livrar-se ou desembaraçar-se das obrigações profissionais, familiares e sociais.(DUMAZEDIER, 1973, p.34).

           

Stoppa (1999) fala que alguns outros autores fazem críticas à referida definição, considerando que a compreensão de Dumazedier sobre lazer é insatisfatória. Stoppa (1999 apud FALEIROS, 1980), em seu texto “repensando o lazer”, onde ela tece várias considerações importantes, afirma que Dumazedier, ao tentar esgotar aquilo que considera lazer, não consegue apanhar a dinâmica social que se encontra nas manifestações das atividades de lazer. Para a autora, a explicação de Dumazedier sobre o lazer se faz por meio da estrutura lógica do funcionalismo, que, segundo ela, é um instrumento que ao mesmo tempo em que satisfaz necessidades, cria outra.

Fonte: TCC – Claudio Woidella